“A opinião pública deveria ser encarada como um produto coletivo. Como tal, não constitui uma opinião unânime com a qual cada membro do público está de acordo, não sendo também forçadamente a opinião da maioria”.
Herbert Blumer
As últimas décadas têm sido de expansão para a área da comunicação. Os avanços tecnológicos têm permitido o acesso de um número cada vez maior de pessoas aos chamados meios de comunicação em massa (televisão, rádio, jornais, revistas etc.), tanto nos países ditos desenvolvidos, quanto nos em desenvolvimento. O Brasil, por exemplo, já passou por uma “Era do rádio” e agora vive uma “Era da televisão”, onde a maioria da população, ou tem, ou pelo menos assiste a programas televisivos.
Essa expansão não se refere apenas ao aumento de consumidores, mas também a de sua influência. Em um mundo em vias de globalização, cada vez mais veloz, onde a população dispõe de um tempo cada vez menor para vivenciar novas experiências, o “estar informado” torna-se quase um imperativo para o convívio social. Assim, criou-se um verdadeiro grupo de “fiéis” dos meios de comunicação, dependentes das informações “importantes” que estes têm a oferecer.
Tendo em vista tal cenário, é possível compreender o peso que a mídia possui nas discussões, bem como na formação da opinião pública. Esta, por sua vez, converteu-se em um instrumento “manipulável”, trabalhando no sentido de conquistar (ou manter) o maior número possível de consumidores “fiéis”. É importante ressaltar que o termo “manipulável” não se refere, aqui, a algo imposto e seguido cegamente. Na realidade, a mídia não impõe nada, somente sugere de uma tal maneira escancarada que chega quase a ser uma imposição. Ela age como se fosse a voz de uma “Consciência” da sociedade, que deve guiá-la sempre pelo caminho “reto”.
Algumas vezes a mídia manipula a opinião pública sem ter total consciência do que está fazendo, e acaba chegando a resultados que não planejou. Um bom exemplo é o caso Nardoni. Antes da condenação pelo júri popular, Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá foram julgados e condenados pela imprensa. Esse julgamento não foi algo planejado. Ocorreu que , conforme o caso se desenrolou e foram surgindo novas pistas e indícios, a mídia foi selecionando aquilo que, para ela, traria maiores índices de audiência, e, mesmo sem querer, acabou imputando a imagem de assassinos ao casal. Foi pensando nos índices de audiência que a revista Veja estampou em sua capa a machete: Para a polícia não há dúvidas, eles são culpados (destacando as últimas palavras). O resultado é conhecido: entre a população a ideia da culpa do casal era praticamente uma unanimidade, chegando ao extremo de se repudiar qualquer um que ousasse dizer o contrário (mesmo sendo o advogado de defesa e membros das famílias dos réus).
Obviamente existem momentos em que a manipulação da opinião pública é algo consciente, com uma finalidade específica. Também existem momentos em que a mídia perde o controle sobre seu público fiel. Foi o caso das últimas eleições. Grande parte da mídia pretendia eleger José Serra. Entretanto, quem se elegeu foi Dilma Rousseff, sua principal concorrente.
Que a mídia possui uma forte influência sobre a opinião pública não há dúvidas. Só que, ao contrário do que se pensa, essa influência não é total, nem tão pouco faz parte de uma “conspiração”. Mesmo que, por vezes, os meios de comunicação manobrem a sociedade como se esta fosse apenas uma massa, é importante perceber o fato da mesma ser formada por indivíduos com vontades e pensamentos diversos, tornando as relações entre mídia e opinião pública uma verdadeira caixinha de surpresas.